Bem vindo ao blog Profissão e Arte do SESC Consolação. Aqui, os integrantes dos cursos de Fotografia de Cenas e Dramaturgia - Criação de roteiros para teatro podem trocar experiências e idéias sobre os conteúdos aprendidos nos cursos, ampliando o conhecimento para além da sala de aula.

terça-feira, 5 de julho de 2011

DUAS IRMÃS de Felippe Augusto

Personagens:
Reporter (a)
Camila (filha mais velha)
Valquíria (irmã de Regina)
Carlos (empregado)
Regina (mãe)
Cássio (filho mais novo)
Simone (irmã do morto)
Luísa (camareira)

Cena Um

(Luz fraca em um ponto do palco, neste, há apenas um balcão e um rapaz sentado, bebendo algum drinque) (Chega outro homem, bate no balcão)
Repórter: Por favor, a bebida mais forte que vocês tiverem.
Rapaz: Esta mal heim meu amigo?
(Repórter se assusta)
Repórter: Estou... Acabei de perder meu emprego.
Rapaz: Desculpe perguntar, mas você é o que?
Repórter: Sou repórter, jornalista... Mas tudo bem, já estava cansado daquele empreguinho, quero ser escritor, quero ter um livro meu, vou me dedicar a isso, só preciso de uma historia.
Rapaz: Uma historia? (repórter balança a cabeça afirmando) Pegue um papel e uma caneta... Tudo começou assim...
Cena Dois

(Luz se ascende do outro lado do palco) (Camila chega a casa, entra e cumprimenta sua tia, sentada em sua cadeira de rodas. Ela esta dormindo).
Camila: Titia.
Valquíria: (Acorda) Camila, minha sobrinha. (trocam beijos na bochecha)
Camila: Dormindo? Esta cansada?
Valquíria: Estava apenas descansando um pouco.
Camila: Estou feliz por te ver!
Valquíria: Eu também querida!
Camila: Como estão suas pernas?
Valquíria: Ah... Isso depende do dia. A velhice é terrível, Mas a dor não é nada. O pior é sentir-se dependente. Um fardo para os outros.
Camila: Não diga isso, titia. Sabe que te amamos. Na família, todos se ajudam.
(Carlos entra na sala)
Carlos: Minha Camila!
Camila: Carlos!
Carlos: Você chegou! (se abraçam)
(Regina entra em casa)
Regina: Que tempo horrível!
Carlos: Senhora é tão boa ver Camila.
Regina: Ela esta linda não é?
Valquíria: Seu pai ficará muito feliz em te ver. Ele já sabe que Camila chegou?
Carlos: Ainda não. Ele esta dormindo!
Camila: Como?
Carlos: Ele pediu para não ser acordado.
Camila: Papai ainda esta dormindo?
Valquíria: Trabalhou até tarde, em seu quarto. (Carlos sai)
Camila: Estou feliz de estar em casa.
Regina: Com toda essa chuva, parece que estamos em pleno dilúvio. É muito entediante. Sorte que temos telefone e carro. Ah deixa-me apresentar, esta é Luísa, a nova camareira (Luísa entra)
Camila: Bom dia Luísa
Luísa: Bom dia, senhorita (ajuda Camila a tirar seu casaco) Espero que tenha feito uma boa viagem.
Camila: Sim, obrigada. Apesar da chuva.
Luísa: Precisa de mais alguma coisa senhora?
Regina: Não, obrigada Luísa (Luísa sai)
Camila: De onde ela veio?
Regina: Da vizinhança, creio
Camila: Muito bonita não?
Regina: Hum... (da um leve sorriso)
Camila: Acho que vou acordar o papai.
Regina: Não filha, deixe seu pai descansar. Se você for acordá-lo agora, ele será capaz de acordar de mau humor.
Valquíria: Não creio. Seu pai sempre foi um homem de bom humor, ainda que seus negócios não estejam indo bem.
Camila: Mesmo?
Regina: Sabe mais dos problemas dele que eu. Eu os ignoro, e tudo bem. Tenho meus problemas e ele, os dele.
Valquíria: Sabe Regina, perguntei-lhe sobre vender meus títulos e ele acabou me contando.
Regina: Você vendeu seus títulos?
Valquíria: Não. Ele me aconselhou a esperar.
Regina: Ele tem razão. Guarde. Nunca se sabe...
(Cássio entra e tapa os olhos de Camila)
Cássio: Advinha quem é?
Camila: Cássio. Meu pequeno Cássio (se abraçam)
Cássio: Trouxe presentes?
Camila: Chocolates argentinos
Cássio: Bom, você não fundiu muito a cabeça!
Camila: Aos 16, gosta-se de chocolates
Cássio: Já tenho quase 17 anos.
Camila: Mas sempre será meu irmãozinho. Você esta ótimo.
Cássio: Você também. Acho que engordou um pouco.
Camila: Mesmo? Eu não acho!
Cássio: Onde esta o papai?           
Camila: Ainda não acordou.
Cena Três

(Todos estão sentados distraídos. Luísa entra com uma bandeja e vai em direção ao quarto do chefe) (bate na porta, mas ninguém responde)
Luísa: Senhora, o senhor não responde.
Regina: Então, entre Luísa.
Luísa: Sim, senhora (entra) (grita e deixa cair à bandeja)
Valquíria: Ela é tão desastrada! Onde foi treinada? Se eu não estivesse pressa a esta cadeira...
Luísa: (sai do quarto chorando) Senhora! (Carlos entra na sala)
Regina: O que é?
Luísa: O senhor...
Regina: O que é?
Luísa: O senhor... É terrível.
Regina: O que tem ele?
Luísa: (Chorando) Ele esta morto na cama e com uma faca nas costas (Cássio sai correndo em direção ao quarto)
Regina: Esta louca? O que esta dizendo?
Luísa: (Chorando) Ele esta morto, há muito sangue... É horrível!
Cássio: Mamãe... (volta chorando e abraça a mãe)
Regina: Que visão horrível para uma criança já tão perturbada... Cuide dele! (solta o abraço e o deixa com Carlos) (Regina vai em direção do quarto, mas é interrompida por Camila)
Camila: Mamãe... Você tem certeza?
Regina: Sim, tenho de ir, preciso ver (vai para o quarto percebe que a porta esta trancada)
Regina: A porta esta trancada! Cássio o que fez? Trancou coma chave?
Cássio: (Tira a chave do bolso) Vou entrega - lá á policia. Ninguém entra antes da polícia. (Luísa faz cara de assustada e preocupada) (Regina volta e da apoio ao filho, que continua chorando)
Valquíria: Os jornais dizem para não se tocar em nada, por causa das impressões.
Regina: Mas meu pobre marido...
Cássio: Tomem, façam como quiserem... (entrega a chave à irmã)
Regina: Filha você tem coragem?
Camila: Temos que ver mamãe (Camila, Regina e Carlos entram no quarto) (Cássio grita)
Cássio: Cuidado! O assassino pode estar no quarto!(eles voltam e trancam a porta)
Regina: Oh! Camila... Camila!
Camila: Mamãe... Mamãe... (se abraçam chorando)
Valquíria: Seus negócios iam mal. Ele se matou...
Luísa: Não, a faca estava nas costas! Eu vi.
Valquíria: Bem, nesse caso...
Luísa: Um punhal com um cabo de chifre.
Carlos: O senhor o havia pedido esta noite, para cortar papelão.
Valquíria: Papelão? Que estranho... Que estranho o que ele faria com papelão?
Regina: Devemos chamar a policia.
Camila: Agora?
Regina: Sim. Já esperamos muito.
(Camila pega o telefone e percebe que esta mudo)
Camila: Que estranho...
Cássio: Veja! Cortaram os fios do telefone!
Carlos: Mas quem?
(a porta se bate e todos se assustam)
Carlos: É apenas o vento e a sua imaginação. (fecha a porta)
Camila: O que faremos sem o delegado?
Regina: Ele virá. Vou buscá-lo de carro.
Valquíria: Regina, você não esta em condições de dirigir.
Regina: Luísa, meu casaco!
(Luísa indo buscar o casaco)
Luísa: Senhora... Os cães.
Regina: O que há com eles?
Luísa: Não latiram durante a noite.
Regina: E daí?
Luísa: Bem, são bravos teriam latido se...
Regina: Se o que?
Camila: Se um estranho tivesse entrado em casa...
Luísa: Isso
Valquíria: Se ninguém veio de fora, isso significa...

Cena Quatro

(Todos sentados, Camila começa a questionar)
Camila: Quem telefonou por ultimo?
Carlos: Eu
Camila: Então, diga-nos.
Carlos: Por volta das 7h30, liguei para o açougue, mas por causa da chuva, eles não poderiam entregar
Camila: Então, ás 7h30 o assassino ainda estava aqui e cortou os fios depois. Mamãe, conte-nos sobre os negócios do papai.
Regina: Você conhecia seu pai. Homem de muitos negócios... Muito inteligente, mas muito discreto também. Ele tinha mil e umas maneiras de sair bem, porem jamais disse que tinha problemas.
Valquíria: E estava bem assessorado pelo senhor Garcia.
Camila: Senhor Garcia?
Regina: Seu novo sócio no banco.
Camila: Ah, sim! Ele já esteve aqui?
Regina: Não! Bem, talvez uma ou duas vezes. Quero dizer, raramente.
Luísa: E quando o senhor Garcia esteve aqui, os cachorros latiram muito, talvez sentissem o cheiro do cachorro dele.
Camila: Então é improvável que ele...
Regina: Sim, totalmente improvável.
Camila: Mamãe, quem herda os bens do papai?
Regina: Eu... Quero dizer, nós! Neste caso, o dinheiro é dividido entre a esposa e os filhos. A esposa recebe metade... Bem os tabeliães sabem essas coisas (cai em prantos) Cássio, vá buscar um lenço.
Cássio: Sim mamãe... Precisamos avisar a tia Simone, afinal ela é irmã do papai.
Regina: Simone? Que idéia! Aquela mulher! (Cássio sai)
Camila: Sim mãe. Você disse que ela voltou para São Paulo recentemente. Sabe o por quê? (Cássio volta)
Regina: Não sei, mas sem duvidas, ela voltou na tentativa de se reconciliar com seu pai. Aposto que achou que encontraria refugio ao lado do irmão rico depois de anos de uma vida leviana. (Carlos e Luísa se entreolham com olhar suspeito) Mas graças a Deus ela nunca pôs os pés em nossa casa.
(Camila se levanta e vai em direção alguma janela, alguns minutos depois Regina se levanta e acompanha a filha)
Camila: É horrível! Volto para casa e encontro meu pai morto, assassinado...
Regina: Oh... (suspira) nós nos dávamos tão bem, éramos tão unidos.
Luísa: (Empurrando a cadeira de rodas de Valquíria) Porém em quartos separados!
Regina: Ele chegava tarde, trabalhava á noite, com freqüência, e pediu-me para mudar de quarto. Algo mais? (Todos se juntam a Camila e Regina)
Valquíria: Meninas, calma. Precisamos de ajuda. Regina pegue o carro. Depressa.
Cássio: E se o assassino ainda estiver aqui?
Calos: Não se preocupe, ele não esta a nossa espera. Deve ter fugido há muito tempo. Saiu como entrou, pela porta. O assassino é mais esperto do que pensamos. E está mais próximo.
Regina: Pode haver um homem nos rondando?
Carlos: Um homem? Por que um homem?
Valquíria: Quem mais poderia ser?
Carlos: Uma mulher!
(Todos se olham, de repente titia se levanta e sai andando em direção aos quartos)
Cássio: Titia! (Todos surpresos)
Regina: Valquíria suas pernas! O que aconteceu?
Valquíria: Estou me sentindo melhor. Deve ser a chuva, ou um milagre de natal!
Cássio: Mas não estamos no natal!
Valquíria: Há não? Aleluia é um milagre! (sai de cena)
(Carlos se retira)
Regina: Luísa, meu casaco.
Luísa: Sim senhora (Luísa sai)
Camila: Mamãe, a titia se dava bem com o papai?
Regina: Espero que sim! Ele a sustentava. Às vezes discutiam, mas nada sério.
Camila: Discutiam? Sobre o que?
Regina: Besteira! Titia guarda seus títulos como um cachorro guarda seu osso. Eu sempre lhe digo para dá-los ao seu pai... Enfim.
Cássio: E nesses títulos à senhora tem uma parte não?
Regina: Sim, mas dei-a ao pai de vocês, depois titia descobriu e intrometeu-se. Valquíria sente-se dividida entre a gratidão e a avareza.
(Luísa aparece ao fundo, fica distante e quieta, apenas escutando)
Camila: O que esperava? Ela não teve a chance de se casar com um homem rico.
Regina: A culpa agora é minha? Tive que pedir ao pai de vocês que a deixasse morar aqui. Foi difícil convencê-lo de aceita-la!
(Luísa se aproxima com o casaco)
Luísa: Aqui esta o seu casaco senhora.
Camila: Diga-me Luísa, quando você começou a trabalhar aqui em casa?
Luísa: Por que a pergunta?
Regina: Ela esta conosco deste setembro.
Luísa: Tenho referencias. Trabalhei dois anos na casa de um medico. Quer confirmar?
Camila: Não é preciso. Luísa
Regina: Vou ao meu quarto buscar minha bolsa (sai)
(Luísa começa a se retirar)
Camila: (para Luísa que para) Tem certeza de que os cães não latiram?
Luísa: Claro. Dormi mal esta noite. Tive um pressentimento. O senhor parecia doente quando eu lhe trouxe o chá.
Cássio: Papai pediu chá?
(Luísa fica nervosa)
Luísa: Sim! Por volta da meia noite.
Camila: Mas ele nunca toma chá!
Luísa: Estava trabalhando, talvez estivesse com sede ou dor de estomago. Ele me chamou, e levei-lhe o chá.
Camila: Ficou muito tempo no quarto dele?
Luísa: Não, sai imediatamente.
Cássio: E por que não a vi a bandeja do cha no quarto hoje?
(Luísa fica nervosa e começa a gaguejar)
Camila: Diga-me Luísa, quando fez o chá, Carlos ainda estava em casa?
Luísa: Não, tinha acabado de sair. Ele dorme lá no fundo, sente-se mais livre. Depois de um dia de trabalho, pode-se fazer o que quer, não? Jogar cartas não faz mal a ninguém.
(Camila se surpreende)
Camila: Carlos joga baralho?
Luísa: A senhorita não sabia? Ops... Acho que cometi uma gafe!
Camila: Mas é claro, que eu sabia. E com quem ele costuma jogar?
Luísa: Não sou dedo duro
Cássio: Fale, não diremos a ninguém.
Luísa: Ele joga com a senhorita Simone, a irmã de seu pai.
Camila: Então, como é a tia Simone?
Luísa: Dizem que é uma dançarina exótica. Mas sei muito bem que ela usa seu charme em proveito próprio. Mas quem pode culpá-la?
Camila: (ri ironicamente) E como ela vem ate nossa casa?
Luísa: Caminhar é a rotina dela. Posso me retirar senhorita?
Camila: Pode (Luísa sai) (Carlos entra)
Cássio: Diga-me Carlos, a que horas você saiu ontem?
Carlos: Por volta da meia noite.
Cássio: Foi passear?
Carlos: Esta brincando? Com esse tempo?
Cássio: Recebeu visitas?
Carlos: Visitas? Faz tempo que não recebo nenhuma visita.
Cássio: Tem certeza?
Carlos: Já chega Cássio!
Cássio: Tudo bem, mas esta escondendo algo (sai bravo).
Carlos: Seu irmão não tem modos, se sua mãe fosse mais exigente.
Camila: Carlos, essa moça, Luísa, ela trabalha bem? (Valquíria se aproxima lentamente de Carlos e Camila)
Carlos: Sobre ela, preciso lhe dizer que esta sempre esperando deitar-se com o patrão. Quanto às outras coisas...
Valquíria: Quanto às outras coisas... (Carlos e Camila se assustam)
Carlos: Bom, vou me retirar, com licença. (sai)
Valquíria: Tenho que lhe contar uma coisa Camila. Só em você posso confiar. Seu pai não tinha mais dinheiro. (as duas se sentam e começam a conversar quase como um cochicho)
Camila: Isso é importante, conte-me tia...
Valquíria: Pois bem, eu queria oferecer-lhe meus títulos, como um gesto de gratidão por ele ter me acolhido tão bem, mas ele recusou e disse-me para guardar, pois isso não o salvaria da ruina. Foi isso que fiz, guardei meus títulos, mas não por muito tempo, eles foram roubados.
Camila: Roubados?
Valquíria: Alguém colocou algo no meu vinho! Sabe... Uma taça depois do jantar ajuda minhas dores... (Camila da um olhar de censura). Alguém entrou no meu quarto e me roubou! Alguém sabia do meu esconderijo.
Camila: Dentro da fronha do seu travesseiro!
Valquíria: (surpresa) Como você sabe?
Camila: Titia, todo mundo sabe.
Valquíria: (chocada) Todo mundo? Que absurdo! (gritando) Ladrões! Assassinos!
Camila: Titia!
Valquíria: (gritando) Que absurdo! Ladrões! Assassinos!
(todos voltam)
Regina: O que é isso Valquíria? Ficou louca?
Camila: Alguém roubou os títulos dela!
Regina: Como isso é possível? Você quase nunca sai do seu quarto!
Valquíria: Eu juro que foram roubados! (descontrolada) Foi você Regina, que os roubou, para dá-los a alguém. Devolva-os
(as duas começam a brigar, Luísa e Carlos a separam)
Regina: Minha pobre irmã, esta você me paga.
Camila: Chega! Parem de agir como crianças, papai esta morto!
Regina: Tem razão! Basta, ninguém sai! Vou buscar o delegado... (sai)
(Todos se entre olham com ar de medo)
Carlos: (pega a bolsa de Regina do chão) Senhora, sua bolsa... (sai correndo atrás de Regina)

Cena Cinco

(Regina e Carlos voltam)
Regina: Atenção todos tenho más noticias: o carro não funciona. Cortaram os fios do motor
(todos se surpreendem)
Luísa: Podemos imaginar quem foi...
Regina: O que esta insinuando, Luísa?
Luísa: Nada, é apenas uma suposição.
Camila: Só há uma solução. Temos de ir a pé. Eu vou
Regina: Vou com você! (se viram e vão em direção a porta, mas param surpresas)
Camila: (apontando para fora) Vejam! Há alguém no jardim.
Cássio: Será que o assassino voltou?
(todos ficam olhando para fora com medo e assustados) (uma mulher bonita, elegante com ar de mistério entra, Regina e Valquíria fazem cara de desdém).
Simone: Desculpem-me, não viria à casa de meu irmão sem convite e com este tempo... Mas recebi um telefonema esta manha. Sem duvidas uma brincadeira de mau gosto. Disseram para vir, pois meu irmão tinha sido assassinado. Mas por que estão me olhando? É uma brincadeira, não é?
(Todos olham para o quarto do morto)
Simone: Respondam! (Simone sai correndo ate o quarto que todos olham. Chama pelo irmão, mas ninguém responde. Começa a mexer na maçaneta, mas nota que a porta esta trancada).
Regina: Como sabe se este é o quarto de meu marido se jamais esteve aqui?
(Simone volta a chamar pelo irmão)
Regina: Pare de gritar. Ele esta morto.
Simone: Morto? Não acredito!
Regina: Assassinado. Com uma faca nas costas. (Simone começa a chorar) Já que ele foi assassinado, temos que lhe fazer algumas perguntas.
Simone: Deixem-me
Regina: Quem te ligou?
Simone: Eu não sei...
Regina: Um homem?
Simone: Não, era voz de mulher.
Regina: Não acredito nesse telefonema...
Simone: E por que eu inventaria?
Regina: Um pretexto para vir. Embora já tenha vindo não?
Simone: Nunca!
Luísa: Por que os cães não latiram?
Simone: Como vou saber? Por que trancaram a porta?
Cássio: Para que ninguém toque em nada antes da policia chegar.
Simone: Eu quero entrar. Abram
Luísa: Quer entrar para destruir as evidencias?
Simone: Abram!                                            
Regina: Pegue a chave, esta ali, sobre a mesa.
(todos fazem cara de suspeitos) (Simone pega a chave, tenta abrir a porta, mas não consegue)
Simone: Esta não é a chave
Regina: Como?
Simone: Tente você
(Regina tenta e não consegue) (todos se entreolham)

Cena Seis

Regina: Quando você viu meu marido pela ultima vez?
Simone: Estávamos brigados, você sabe.
Regina: Não acredito
Simone: Eu o encontrei uma ou duas vezes, casualmente na cidade. Mas agora ele esta morto e suspeito de todos vocês.
(Regina se serve de uma bebida)
Camila: Tia Simone, você disse que nunca esteve aqui certo?
Simone: Sim
Camila: Esta mentindo e tenho provas (aponta para Carlos)
Regina: O que significa isso?
Camila: Simples mamãe, eles já se conhecem e se encontram regularmente.
Regina: Como assim? O que esta havendo?
Carlos: Às vezes Simone vem jogar e passa a noite comigo.
Regina: Meu deus!
Camila: Bom, para entendermos melhor tudo isso, precisamos saber exatamente o que cada um fez na noite passada. Mamãe, onde você estava?
Regina: Já disse, no meu quarto.
Camila: Não saiu?
Regina: Não. Na verdade, sim, uma vez. Para ver Cássio. Pensei ter ouvido a porta bater. Ele estava lendo e voltei para minha cama.
Camila: Cássio, você se levantou?
Cássio: Sim, fui ao banheiro. Mamãe deve ter ouvido a porta. Não vi ninguém.
Camila: Ouviu algo?
Cássio: Estava lendo, não prestei atenção.
Camila: Titia, suas pernas estão boas, a senhora se levantou?
Valquíria: Não. (pensa) Espere, sim... Levantei-me por volta da uma da manha, desci ate a sala, para pegar meu tricô.
Camila: Luísa, você sabe algo mais após você ter levado o chá pro meu pai?
Luísa: Não. Quando levei o chá ele já estava só.
Camila: Carlos, a que horas você saiu?
Carlos: Por volta da meia noite.
Camila: Antes ou depois do chá?
Carlos: Sai logo depois que o senhor pediu o chá
Camila: Quanto tempo depois?
Carlos: Não sei. Acho que cinco minutos depois.
Camila: E você tia Simone?
Simone: Fiz uma visita pessoal sem ligação com esta tragédia. (Olha para Carlos)
Regina: Então, Luísa, você foi a ultima pessoa que viu meu marido vivo.
Luísa: Isso é grave?
Regina: Você pode ser acusada de ser a assassina
Luísa: Então, terei de contar... Desculpe-me Simone
Simone: Eu já esperava.
Luísa: Quando fui levar o chá, encontrei com a senhorita Simone no quarto de seu irmão.
Regina: Simone você mentiu. Por que veio a nossa casa, ontem?
Simone: Vim falar com meu irmão
Camila: Luísa ouviu a conversa?
(Luísa pensa, olha pro lado)
Luísa: Não, sai logo com a bandeja.
Regina: E você? O que fez depois?
Simone: Só conversamos. E sai em seguida
Luísa: Isso eu posso provar. Eu a vi quando saiu.
Camila: E ela falou com você?
Luísa: Ela me pediu para ficar calada e deu-me uma quantia em dinheiro. E antes de sair escutei Simone dizer ao senhor: ‘’Se você não me der o dinheiro, eu te mato!’’
Simone: Não! Eu disse: ‘’Eu me mato!’’ Sua palavra não tem valor, é só uma empregadinha.
Luísa: Estou farta! Vou encontrar um carro (sai)
Camila: Não há mais duvida, o assassino está entre nós. Tem de ser uma de vocês
Cássio: Diga ‘’investigadora’’ Camila, não se esqueceu de alguém?
Camila: Quem?
Cássio: Você.
Camila: Eu?
Cássio: Sim! Você repassou o que fizemos esta noite, mas esqueceu de você.
Regina: Não diga besteira. Fui EU mesmo pegar sua irmã esta manhã. Ate dispensei Carlos.
Cássio: Não é verdade, mamãe. Vi Camila aqui na noite passada.
Camila: Quando você me viu?
Cássio: Ao abrir minha porta eu a vi entrar no quarto do papai era quatro da manha.
Camila: Não matei meu pai, eu juro! Juro!
Regina: É melhor explicar! É uma revelação perturbadora.
Camila: Eu peguei o trem um dia antes e á noite entrei pelos fundos. Eu tinha algo importante, e precisava dizer ao papai, pois, sem sua aprovação eu nunca teria voltado. Ele foi maravilhoso. Pobre papai... Prometeu seu apoio... Ele disse para voltar á estação e retornar como planejado. Eu obedeci e isso é tudo. (segura o choro)
Regina: E qual foi à revelação? (Camila começa a chorar e se abraça a mãe) conte-me querida.
Camila: Vou ter um bebe mamãe.
(Regina da um grito de surpresa e se solta do abraço com a filha) (Luísa volta correndo, gritando)
Luísa: (gritando) Senhora!
Regina: O que é? Ainda não foi buscar ajuda?
Luísa: O portão esta bloqueado. Não podemos sair. Estamos presos...

Cena Sete

(Na sala apenas Simone, Regina e Camila) (Simone fuma)
Regina: (para Simone) Sabia que meu marido a colocou no testamento? Disse que ia deixar dois milhões para você.
Simone: Então meu irmão pensou em mim?
Regina: Não se faça de inocente, você sabia que ele iria ver seu advogado e, quando teve certeza de sua herança...
Simone: Minha versão é diferente... Já que ele ia me incluir no testamento você tratou de se assegurar...
Regina: Que horror!
Simone: Mas ele fez o testamento ou não? Se fez, fico sob suspeita. Se não, é você quem fica.
Camila: Eu sei a resposta. O testamento não foi feito. (Simone começa a rir, já Regina se surpreende) Ontem falei sobre isso com papai. Ele disse: ‘’estou feliz por ter me contado. Verei meu advogado amanha e não me esquecerei de você’’
Regina: Uma forma inteligente de dizer: ‘’Sou inocente, papai ia me colocar no testamento’’.  Que acusação abominável! Logo sua mãe, Camila!
Camila: Eu não a acusei, apenas contei os fatos.
(luz se abaixa) (luz volta ao normal, apenas Regina permanece na sala, Camila entra)
Camila: Mamãe, acabei de ver uma coisa. Suas malas arrumadas. Você ia viajar?
Regina: (nervosa) Não é da sua conta.
Camila: Diga-me mais uma coisa: o papai era meu verdadeiro pai?
Regina: Deixe-me em paz. Não quero falar sobre isso.
Camila: Mas eu tenho direito de saber. Você se casou com papai porque estava grávida? Diga-me!
Regina: (segurando o choro) Isso agora não faz diferença. É passado... Seu pai te criou com sua própria filha.
Camila: Quem é meu pai?
Regina: (pausa) Um homem. Quando era jovem fui violentada, ele trabalhava para nossa família. Você tem os olhos dele. Olho para você e me lembro de seu rosto.
Camila: Onde ele esta agora?
Regina: Ele morreu antes de você nascer. Mas me lembro dele todos os dias. Ter-te ao meu lado é uma grande alegria e um sofrimento. (ambas choram e se abraçam)
(luz cai) (luz volta ao normal, na sala está todos, menos Carlos. Luísa vem com uma bandeja servindo-os, Simone é a ultima a entrar)
Simone: Como querem a verdade, devo acrescentar uma nova informação...
Regina: O que você vai inventar agora?
Simone: Sua nova empregada, Luísa e seu amado marido se conheciam havia cinco anos.
(Luísa se surpreende)
Regina: O que você disse?
Simone: Sim... Cinco anos de encontros e fins de semanas secretos. Com o final do ano se aproximando, você precisava de uma empregada, então... É o chamado ‘’Serviço completo em domicilio. ’’
Luísa: Cuidem de suas coisas, já que não vão bem.
Regina: Vocês já se conheciam Luísa?
Luísa: Sim
Camila: Ambos decidiram que você seria nossa empregada?
Luísa: Sim, nós nos amávamos.
Regina: Estou surpresa que ele tenha gostado de você. Afinal... Você é tão comum.
Luísa: Aparentemente, ele se cansou de mulheres notáveis.
Regina: Suponho que ele te pagava.
Luísa: A senhora sempre tem que envolver dinheiro, se prefere imagina que me pagava...
Regina: Não quero imagina, quero saber!
Luísa: Use um pouco de imaginação...
Regina: (rindo) Acho que você errou de vocação, deveria ter sido freira...
Luísa: Eu falo de amor e a senhora ri. Mas não ficou contente em te liberar de certas questões conjugais? Afinal, dividimos a mesma intimidade.
Regina: Cale-se! Meus filhos estão aqui.
Luísa: Achei que a senhora queria a verdade! A morte dele não muda nada, continuo a seu serviço.
(Carlos entra na sala correndo)
Carlos: Senhora... Senhora, eu compreendi.
Regina: O que?
Carlos: Tudo. Ou quase...
Regina: Vamos ouvir!
Carlos: Preciso confirmar. Ninguém se mexe! Preciso verificar, lá fora. Deem-me dois minutos e eu explicarei a morte do senhor. (Carlos sai todos se apavoram)
Regina: Vocês acreditam no que ele diz?
Simone: Ele sabe alguma coisa.
Luísa: Ninguém deveria sair, mas você o deixou ir.
Valquíria: Ela vai escapar, é um truque.
Camila: Então foi ele?
Simone: Eu acho que sim... Agora vai tentar fugir.
Regina: Atenção, ele esta voltando! Vamos nos esconder e olhar.
(todos se escondem) (Carlos volta)
Carlos: Exatamente como pensei. Mas onde estão todos? Por que saíram? Onde estão vocês?
(Barulho de tiro, Carlos cai) (Todos voltam)
Valquíria: Senhor Carlos! Meu deus!
Cássio: Ele esta morto?
Camila: Não, apenas desmaiou com o susto! Temos que levá-lo ate seu quarto.
Regina: Bem, agora sabemos.
Simone: Sabemos o que?
Regina: Ele não é o assassino.

Cena Oito

(Luz em foco apenas de Valquíria, Cássio entra)
Cássio: Titia, a senhora esta bem?
Valquíria: A faca nas costas de seu pai parecia... Luísa disse que era um punhal, mas pode estar mentindo. Se estava preso no corpo... Como ela poderia saber? (toma um gole de alguma bebida) Com certeza não era uma faca de peixe (ri)
Cássio: Descanse um pouco titia!
Valquíria: (rindo, segura o braço da neta e a puxa para perto de si) Sabe Cássio, existem diferentes tipos de mulheres, há também diferentes épocas, diferentes gerações. Sua tia... Seu tio me deu uma vida confortável, sem problemas... Minhas necessidades e caprichos eram atendidos... Ele mal começara sua carreira, mas já estava pronto para fazer fortuna, cujo montante você nem imagina. Ele era um verdadeiro cavalheiro, mas eu não o suportava! Pode imaginar passar sua vida com um homem que não se ama? Um homem que nem se quer tinha algum defeito! Sabendo que esta presa a ele? Naquele tempo, não se tinha divorcio. Então... Eu o matei! Eu matei seu tio! Mas sem duvidas não seria capaz de fazer isso novamente! Eu não seria capaz de matar seu pai, ele era um bom homem, era como um irmão para mim. (Luz se apaga)

Cena Nove

(Regina esta sentada em uma mesa e começa a jogar cartas. Camila e Cássio estão sentados próximos!)
Regina: Onde esta Simone?
Camila: Eu não sei
Regina: Aquela mulher é perigosa. Não respondeu a nenhuma pergunta honestamente (Luísa entra com uma bandeja nas mãos, mas agora não esta mais vestida de camareira, esta com um vestido mais ousado, cabelos soltos, maquiagem provocante).
Luísa: Café?
Regina: Sim, obrigada!
Camila: Luísa, você sabe se Simone saiu?
Luísa: Não pode estar longe. O portão esta trancado. Nunca a vi escalar muro.
Regina: Ela deixou as suas coisas?
Luísa: Sua bolsa esta ali! (Luísa se senta ao lado de Regina, Camila sai correndo, pega a bolsa de Simone, abre, começa a mexer e tira uma pequena arma)
Regina: Eu estava certa! E vocês tiveram a audácia de me acusarem!
Camila: Como pode ser?
Regina: Acredito que Simone e seu pai discutiram ontem à noite... Depois ela foi dormir tranqüila no quarto de Carlos e de madrugada ela volta e o mata... Saiu e voltou usando a desculpa do telefone misterioso.
Camila: Você acha?
Regina: Tenho certeza! Ela tentou eliminar ou intimidar seu amigo Carlos. (entra Valquíria)
Regina: O que foi isso?
Valquíria: Veio lá de dentro.
Cássio: É Simone, ela veio nos matar.
Regina: O que faremos?
Camila: Nada. Esconderemos o revolver e observamos. Vamos (todas vão para o sofá e se sentam, Simone aparece)
Camila: Onde você estava tia Simone?
Simone: Estava no banheiro. Carlos já falou?
Regina: Não, não se preocupe.
Simone: Por que vocês estão me olhando desconfiadas?
Regina: Por cauda disso (mostra a arma) estava na sua bolsa
Simone: Alguém colocou, eu juro
Valquíria: Naturalmente
Simone: É fácil provar. A policia não achara minhas digitais, além do que todas á manusearam
Regina: Não tinha pensado nisso.
Camila: Escutem! O assassino nos isolou para não podemos chegar a policia temos que partir, é uma questão de vida ou morte.
Luísa: Vou com você, podemos tentar pular o muro com uma escada.
Valquíria: Vamos, eu ajudo
Cássio: Mamãe olhe Simone!
(saem) (luz cai e volta rápido, todos voltam)
Regina: A escada funcionou?
Camila: O murro é muito alto e certamente cairíamos na rua. Vou gritar para algum vizinho chamar a policia.
(Carlos volta)
Carlos: Não precisa de policia, essa historia já foi longe de mais.
Regina: Ele sabe de tudo. Esta brincando conosco! É a vingança domestica!
Carlos: Errado. É negocio de família
Simone: Estamos escutando
Carlos: É uma historia estranha. Cássio venha cá
Cássio: Você sabia de tudo?
Carlos: Sim. Continue Cássio.
(Cássio vai ao centro e começa)
Cássio: Muito bem me escutem vou contar uma historinha. Era uma vez um homem que vivia com sua família que o torturava. Na ultima noite o pobre homem foi dormir e sua família começou os ataques. Felizmente seu filho Cássio escondido viu e ouviu tudo. Primeiro ato, 10 horas, sua cunhada recusa-se a dar-lhe seus títulos. A avarenta poderia tê-lo salvado, mas preferiu mentir a dividir o dinheiro.  Segundo ato, 11 horas a ofensiva recomeça. Sua esposa minha mãe, deixa claro que esta partindo com o homem que arruinou seu marido. As 11h30 Luísa faz sua entrada triunfal. Ela é uma falsa empregada, mas uma verdadeira perversa. Seu talento especial é fazer a desgraça dos patrões. Em seguida entra Simone, irmã de papai. Ela lhe tira uma boa quantia em dinheiro, nada mal! Enquanto isso Carlos enfeitiçado pela ex. dançarina exótica faz uma cena patética de ciúmes. Para coroar tudo isso Camila sua filha chega secretamente da Argentina para dizer que esta grávida. E assim boa noite! Quem viu o papai em seguida? Eis a questão! Estão ouvindo? Eu sou o ultimo que sobrou.
Regina: Meu garotinho...
Cássio: Pobre papai o encontrei as seis da manha, ele estava chorando. Ele disse: ‘’Você é um bom menino, uma traça de livros e é tudo q tenho’’ eu jurei fazê-lo feliz, mas ele continuava chorando. E disse: ‘’Deve ser bom estar morto’’. Fiquei com pena dele então tive uma idéia... Idéia de libertá-lo
Regina: Esta dizendo que...
Cássio: Que matei o papai? Quem falou em assassinato? O papai nunca morreu (todos se assustam e perguntam como? O que?). Papai nunca morreu! Ele esta vivo! Atrás desta porta!
Regina: O que esta dizendo?
Cássio: Eu armei uma peça macabra contra vocês para desmascará-los, telefonei a tia Simone. Sabotei o carro e o telefone, roubei a arma e escondi a chave do quarto de papai, senão ele não teria paz. Eu cuidei de tudo e vocês caíram vocês estavam com medo só Carlos desconfiou. Você viu o papai na janela?
Carlos: Sim!
Cássio: Desculpe assustá-lo com a arma, mas era preciso silenciá-lo... Para esclarecer a verdade e desmascarar todo mundo. Sim senhoras, papai esta vivo atrás desta porta! Ele não perdeu nenhuma palavra e agora esta livre de vocês enfim! Sou o único que realmente o ama! Já ouviu o suficiente papai? Ninguém mais vai magoá-lo papai? (entra no quarto) Papai... Papai (barulho de revolver e tiro, Cássio sai chorando e gritando) era só brincadeira desta vez vocês realmente o mataram! (luz se apaga)
(luz fraca no canto do palco, voltamos para a cena inicial, rapaz sentado, bebendo, repórter escrevendo)
Rapaz: ... Era só brincadeira desta vez vocês realmente o mataram! (abaixa a cabeça)
Repórter: Nossa, mas essa historia é muito boa, você a criou?
Rapaz: Não, eu vivi. Prazer sou Cássio Duarte Couto, irmão mais novo de Camila, filho de Regina e sobrinho de Valquíria e Simone.
Repórter: Nossa...
(rapaz tira dinheiro da carteira, coloca no balcão, se levanta e começa a andar)
Rapaz: Espero ter te ajudado meu amigo. (saindo)
Repórter: Mas... Posso escrever esta historia?
Rapaz: (voltando) Escrever... (pensa) Pode! Faça o que quiser com ela! Ela agora é toda sua! (sai) (repórter fica feliz, luz vai diminuindo ate blackout total).

A BANDA de Felippe Augusto

GUITARRISTA: Chegamos
BATERISTA: É aqui
GUITARRISTA: Sim! Que foi? Não gostou?
BATERISTA: Maneiro
GUITARRISTA: Onde vamos ficar?
BATERISTA: Meu, você fica desse lado, o Claudinho daquele e o Marquinho na frente.
GUITARRISTA: Fechou! Mas onde estão os meninos?
BATERISTA: Eles vêm mais tarde (celular toca). Falando neles... (atende) Fala Grande! Onde vocês estão? Putz! Beleza, á Alice já esta chegando, não demora, abraço.
GUITARRISTA: Quem era?
BATERISTA: Era o Claudinho, ele esta no metrô vindo para cá!
(Alice chega)
ALICE: Oi meninos, tudo certo?
BATERISTA: Tudo tranqüilo! Estamos começando a nos organizar agora.
ALICE: Ok! Vou conversar com a administração. Já volto (sai)
BATERISTA: Beleza!
(uma criança se aproxima)
CRIANÇA 1: Vocês vão tocar?
GUITARRISTA: Vamos mais tarde.
CRIANÇA 1: Vocês tocam o que?
GUITARRISTA: Rock
CRIANÇA 1: Que músicas vocês cantam?
BATERISTA: As nossas músicas, mas também tocamos algumas músicas famosas de outras bandas.
CRIANÇA 1: Ah... Vocês tocam ‘’Vou de Taxi’’?
GUITARRISTA: (rindo) Não! Tocamos ‘’Taxi do Inferno’’!
CRIANÇA 1: Ai... Que chato! Não gostei de vocês! (sai).
GUITARRISTA: Você viu essa?
BATERISTA: Melhor nem comentar (riem).
(Alice volta)
ALICE: E ai meninos, aconteceu algo?
GUITARRISTA: Não, tudo tranqüilo!
(Claudio chega)
CLAUDIO: Fala brothers, demorei?
ALICE: Chegamos há pouco!
CLAUDIO: Alguém já viu a iluminação?
BATERISTA: Ainda não! Alice leva o Claudio pra dar uma olhada na luz.
ALICE: Pode deixar, vou aproveitar e procurar alguém que possa ajudar vocês na montagem de tudo!
GUITARRISTA: Fechou!
(Alice e Claudio saem) (Criança volta com um amiguinho)
GUITARRISTA: Beto olha só quem voltou.
BATERISTA: Fala maninho...
CRIANÇA 1: Só viemos olhar!
BATERISTA: Beleza! Mas fiquem ali no cantinho pode ser?
(Crianças se afastam) (Baterista e guitarrista começam a se organizar)
CRIANÇA 2: Tio, por que você tem cabelo comprido?
BATERISTA: Porque acho maneiro!
CRIANÇA 2: Mas minha mãe fala que cabelo grande é coisa de menina!
BATERISTA: Sua mãe fala isso porque ela é uma...
GUITARRISTA: Uma mulher muito simpática!
CRIANÇA 1: Toca uma música pra nós.
GUITARRISTA: Agora não dá!
CRIANÇA 2: Mas por que não?
GUITARRISTA: Porque precisamos ainda ligar os equipamentos...
CRIANÇA 1: Nossa, como vocês são devagar! (saem)
BATERISTA: Se esse pirralho vier com mais uma, eu...
GUITARRISTA: Fica tranqüilo brother, ele é só uma criança!
(Alice volta acompanhada de um homem)
ALICE: Meninos, esse é o Jonas, ele trabalha aqui no Sesc e vai dar uma ajuda pra vocês!
JONAS: E ai? Beleza? Tão precisando de algo?
GUITARRISTA: Então... Precisamos de um estabilizador e alguns fios que me esqueci de trazer.
JONAS: Ah, então me acompanha pra vermos quais os fios que vocês precisam.
GUITARRISTA: Ok! (saem)
BATERISTA: E ae Alice? Como que vai você e o Claudinho?
ALICE: Não vai né? O Claudio é mais devagar que uma tartaruga (Baterista ri) Bem, já que esta tudo tranqüilo por aqui, vou aproveitar pra ir comprar algo pra comermos mais tarde! Já volto!
BATERISTA: Beleza! (Alice sai, baterista sozinho, começa a se organizar) (criança 1 volta)
BATERISTA: Ah não! O que você quer moleque?
CRIANÇA 1: Nada! Na verdade eu quero meu ioiô, você viu por aqui?
BATERISTA: Não vi, e também não sei se está aqui! Mas procura rápido que você já esta me atrapalhando!
CRIANÇA 1: Nossa, como você é chato. (cada um segue para um lado do palco) Tio... (baterista não responde) Tio... Tio...? (criança volta andando e grita próximo ao ouvido do baterista) ô TIIIOOO!
BATERISTA: (bravo) O que você quer moleque?
CRIANÇA 1: Nada! Eu só lembrei que não trouxe meu ioiô! Ele tá na casa da minha tia Florinda. Você tem chiclete?
BATERISTA: (bravo) Moleque, sai daqui agora...
CRIANÇA 1: Por quê?
BATERISTA: Por que se não... (guitarrista entra)
GUITARRISTA: Fala baixinho, tá fazendo o que aqui de novo?
CRIANÇA 1: Vim buscar meu ioiô, mas lembrei que não deixei aqui!
BATERISTA: Mano, tira esse pirralho daqui!
GUITARRISTA: Maninho, vem com o tio vem... (leva a criança, mas volta em seguida) O que ele fez dessa vez?
BATERISTA: Prefiro nem falar! Mas e aí? Achou os fios?
GUITARRISTA: Achei, eu vim só porque ouvi a voz do menino, vou lá buscar os fios, já volto! (sai)
BATERISTA: (grita) Alguém viu o Jet Box?

LETÍCIA de Júlia Andrade B. Zocchi e Felippe Augusto

Cena 1

NARRADOR: Esta é a história de Letícia, uma menina quieta, fria, tímida e misteriosa. Ela tem quinze anos, sempre gostou de filmes de morte, ação e suspense. Nunca foi muito vaidosa, e nem um pouco cuidadosa com o que falava. Apesar de seu nome representar felicidade em latim, seu olhar é escuro profundo e muito misterioso.
O que será que aconteceu no passado de Letícia? Nunca se soube, onde foi parar sua mãe muito menos o seu pai. Hoje ela vive sozinha com a madrasta, pois ele a abandonaram, dizem que ele e a sua mãe fugiram juntos, nunca souberam.

Mas mesmo ela sendo assim, tem algo em Letícia que cativa a todos. Seus gestos, sempre tão firmes, determinados, mas ao mesmo tempo tão delicados.

Todos querem saber de Letícia.

 
Cena 2

(Duas amigas conversando no pátio de um colégio do interior)

AMIGA 1: Ela é estranha.
AMIGA 2: Estranha? Estranha não é nada, ela é muito esquisita! Você viu o que ela falou para a Cláudia?
AMIGA 1: O que?
AMIGA 2: Ela falou que se a Cláudia pegar mais alguma coisa dela, ela ia perder a mão.
AMIGA 1: Não me espanta, lembra que semana passada ela foi pra diretoria, por que ela falou que a professora era uma gorda safada?
AMIGA 2: E aquele olhar? Eu tremo só de pensar!
AMIGA 1: Ela é problemática! Nem os pais a quiseram!
AMIGA 2: Amiga, cuidado!
AMIGA 1: Eu só não entendo porque os meninos gostam tanto dela, ela parece que os encantou de alguma maneira. E temos que descobrir como.

O JOGO DO COPO de Júlia Andrade B. Zocchi

MARCOS: Quanto tempo não?
GUSTAVO: Desde a semana passada!
MARCOS: Aconteceram coisas estranhas desde a última vez.
GUSTAVO: Ah! Deixa de ser menina!
MARCOS: Não é questão de ser menina, é algo sobrenatural! Assustador!
GUSTAVO: Não era nada de mais, só uma brincadeira.
MARCOS: Ah, nada a vê, eu acredito nessas coisas, se eu fiz e aconteceu, tem algo estranho aí...
GUSTAVO: Quer um?
MARCOS: Sim
GUSTAVO: Ué, não tinha parado?
MARCOS: Tinha, mas depois dessa...
GUSTAVO: Você não pode se prender a isso, foi só uma brincadeira.
MARCOS: Isqueiro
GUSTAVO: Toma.
MARCOS: É o seguinte, se isso acontecer de novo, não falo mais com você.
GUSTAVO: A culpa é minha agora?
MARCOS: Você deu a ideia.
GUSTAVO: Mas depois desisti
MARCOS: Hum...
GUSTAVO: E você insistiu!
MARCOS: Não!
GUSTAVO: Que que foi? Sou mentiroso agora?
MARCOS: Ok, desculpe-me
GUSTAVO: O que você viu?
MARCOS: O que nós pedimos
GUSTAVO: E o que sentiu?
MARCOS: Um frio, que nem o inferno esquentava, isto é, se é que o inferno é quente...
GUSTAVO: Você está ficando louco...
MARCOS: Tenho medo, só isso.
GUSTAVO: E por que não acontece comigo?
MARCOS: Tá certo, eu não sei explicar, mas não estou ficando louco, eu vi!
GUSTAVO: Tudo bem.
MARCOS: Tudo bem
GUSTAVO: Como ela era?
MARCOS: Tinha um rosto angelical, loira de olhos azuis, com o cabelo até os tornozelos.
GUSTAVO: E o que ela falou para você?
MARCOS: Ela não falou, fez melhor...
GUSTAVO: O que?!?!?!?
MARCOS: Me ofereceu uma deliciosa maçã.
GUSTAVO: Maçã? (risos) Que frescura!
MARCOS: Não pude recusá-la (hipnotizado)
GUSTAVO: Eu não acredito que você foi burro ao ponto de aceitar.
MARCOS: E por que não?
GUSTAVO: Nunca ouviu a história de Adão e Eva?
MARCOS: Sim o que tem?
GUSTAVO: O demônio oferece a maçã a Eva.
MARCOS: Ué, mas por motivos totalmente diferentes.  
GUSTAVO: Não importa. Ele oferece, e ela é irresistível.
MARCOS: Estou com medo.
GUSTAVO: Este é um dos preços que você paga.
MARCOS: Estou com frio.
GUSTAVO: Ele pode estar perto. 
MARCOS: Estou tonto.
GUSTAVO: Ele está ao seu lado.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

DUAS SENHORAS de Júlia Andrade B. Zocchi

MARIA: Sabe, eu acho que não tem nada de mais.
TERESA: Então por que se incomoda tanto?
MARIA: Não é que eu me incomode, apenas acho anormal.
TERESA: Sei...
MARIA: Quando eu era pequena, diziam que era pecado.
TERESA: A senhora já pensou em cuidar da sua vida?
MARIA: Me desculpe.
TERESA: Quem sabe.
MARIA: Você também cuida da vida dos outros!
TERESA: A senhora não pode afirmar nada.
MARIA: Este café está quente demais...
TERESA: A senhora ainda tem paladar?
MARIA: A senhora acha que eu sou tão velha assim?
TERESA: Quem sabe você bota algo na sua cabeça com tantos anos de vida...
MARIA: Você continua me culpando do enfarte dele não é?
TERESA: Não, espere, pare, pense um pouco e verá que não.  Achei que estivesse bem claro na sua cabeça.
MARIA: Não me enrole.
TERESA: Eu o amava !
MARIA: Eu também!
TERESA: Você o deixou nervoso!
MARIA: Ta certo.
TERESA: Não está.
MARIA: Porque?
TERESA: Eu era irmã dele.
MARIA: E eu esposa.
TERESA: Eu, irmã a 75 anos.
MARIA: Eu esposa a 50.
TERESA: Tenho mais moral não acha?
MARIA: Tenho a aliança, isso não é importante?
TERESA: Não.
MARIA: Tá certo.
TERESA: Tá
MARIA: Tudo bem.
TERESA: Não!
MARIA: Fique quieta, elas chegaram.
TERESA: Pronto foram embora.
MARIA: Então, eu não tenho nada contra.
TERESA: Eu vou pagar a conta.
MARIA: Não! Ainda não, fique mais um pouco... São tão bonitinhas...
TERESA: Isso aqui ta ficando movimentado.
MARIA: Eu estou gostando.
TERESA: Eu estou odiando, isso me perturba.
MARIA: Eu gosto, lembro de meus netos.
TERESA: Não tenho netos.
MARIA: Eu sei.
TERESA: Então.
MARIA: Nunca irá me perdoar não é?
TERESA: Nunca irá trazê-lo de volta não é?
MARIA: Isso não depende de mim...
TERESA: Então de quem depende?
MARIA: Deus.
TERESA: AAAI, lá vem você com esse papo religioso...
MARIA: Não é papo é fé.
TERESA: Tchau, querida, vou indo por que esta muito barulho, foi ótimo conversar com você.
MARIA: Beijos, até a próxima. 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

LA OMISSIÓN DE LA FAMILIA COLEMAN no SESC Consolação

Olá todos,
Segue uma dica para o fim de semana:

Espetáculo: LA OMISSIÓN DE LA FAMILIA COLEMAN
Dias 22, 23, 24, 25 e 26 de junho de 2011
Quarta a sábado às 21h, domingo às 19h.
Duração: 100 minutos.
Ingressos: R$ 32,00 a R$8,00 á venda em toda as unidades do SESC SP
Local: Teatro Anchieta do SESC Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245
Informações: 3234-3000 / www.sescsp.org.br


Eu vou no domingo...