Está em cartaz no Itaú Cultural uma retrospectiva do artista plástico cearense Leonilson, morto em decorrência de complicações da AIDS aos 36 anos. Junto com Sergio Romagnolo e Leda Catunda, ele fez parte da famosa Geração 80, que questionou os rumos da arte contemporânea.
O artista sempre procurou novos suportes para seu projeto artístico. Na exposição vemos bordados, desenhos a lápis, telas, rabiscos, agendas, cadernos, pedaços de fronhas; temos por vezes a impressão que, em sua ânsia por registrar seu torpor artístico, ele pegou o que tinha a mão e transformou em arte.O uso da recorrente da palavra traz uma ansiedade; uma necessidade de registro que transcende a mera pintura, ou a mera poesia. Uma ferramenta completa a outra, e sua obra só faz sentido quando abstraímos a materialidade em si e nos deixamos ser absorvidos pela urgência do discurso ali contido.
A simplicidade da linha guia o observador por um mundo íntimo, que é ao mesmo tempo acolhedor e dolorido. Apesar de ser homossexual assumido e trazer em seu discurso as dificuldades do preconceito e da exclusão, suas obras trazem as dificuldades inerentes a qualquer relacionamento amoroso: a entrega, o ciúmes, a despedida, o desejo, o medo, enfim, todo o processo de auto-conhecimento necessário ao amor.
Além disso, ele registrou em suas obras a difícil tarefa que é se saber morrendo de uma doença que, na época, era ainda misteriosa e sem cura. Com uma sensibilidade apurada, Leonilson registra o declínio de seu próprio corpo.
A exposição está no Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista, e fica em cartaz até o dia 29/05. A entrada e gratuita.
por Lidia Ganhito









